Proteção à identidade indígena e quilombola

uma análise à luz do multiculturalismo e da abertura constitucional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1982-310X.2011v4n02ID4359

Palavras-chave:

Neoconstitucionalismo, Abertura constitucional, Multiculturalismo, Dignidade indígena e quilombola

Resumo

Com a superação do Estado de Direito e ascensão do Estado Constitucional, conceitos como pluralismo e flexibilidade propiciaram uma abertura constitucional sem precedentes na história do constitucionalismo, reconciliando o direito com a realidade social, dinamizando-o e plastificando-o através de um processo contínuo de transformação e evolução de modo a acompanhar a dinâmica social. A superação da concepção de sociedade homogênea e do paradigma da assimilação cultural que predominou no constitucionalismo clássico, desnudou a realidade pluralista e heterogênea da sociedade contemporânea, principalmente num País tão vasto e culturalmente diversificado como o Brasil. Evoluiu-se, assim, no mundo o reconhecimento da ligação inexorável entre o direito a diferença e a materialização da dignidade humana de comunidades etnicamente e culturalmente diferenciadas, tais como indígenas, quilombolas e outros povos ditos tradicionais. Trabalhamos, então, com a compreensão de que a singularidade cultural dessas comunidades consubstancia verdadeiro direito fundamental delas, compreendendo que os instrumentos internacionais destinados à sua proteção e à manutenção de seu estilo de vida tradicional, compõem o bloco de constitucionalidade brasileira, segundo uma lógica de materialidade constitucional, alçando-se à hierarquia de normas constitucionais, uma das maiores contribuições do Neoconstitucional ao universo jurídico e à hermenêutica constitucional.

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Biografia do Autor

Julianne Holder, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professora Adjunta da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), com atuação na Graduação e na Pós-Graduação. Doutora em Direito pela Universidade de Brasília (UNB). Mestre e graduada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Fez parte como bolsista do Programa de Formação de Recursos Humanos em Direito do Petróleo e Gás (PRH-ANP), na UFRN. Atualmente coordena o projeto de pesquisa Estudos Jurídicos Sobre a Questão Indígena e Outras Comunidades Tradicionais, bem como participa como pesquisadora do Grupo Direito, Economia e Mercado (DIREM), todos no âmbito da UFERSA.

Maria dos Remédios Fontes Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Possui Graduação em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Socias-UNIPÊ, João Pessoa-PB (1972-1977). Especialização em Direito Processual Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte- UFRN (19801981). Especialização em Direito do Estado pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC(1979-1980). Mestrado e Doutorado em Direitos Humanos pela Université Catholique de Lyon - Institute de Droits de L'homme-França (1989-1993). Pós-doutorado pela Universitè Lummière Lyon 2 - França (2007-2008). Coordenadora do Grupo de Pesquisa DIREITO, ESTADO E SOCIDADE-CNPq.(1997-2018). Coordenadora do Curso de Mestrado Interinstitucional em Direito-MINTER, em convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (1997- 2000). Consultora Pedagógica da Escola da Magistratura do Rio Grande do Norte-ESMARN(2000-2015). Vice-diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas-CCSA-UFRN(1999-2003). Pró-reitora Adjunta de Pós-graduação da UFRN(2003-2007) Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Direito da UFRN. (2003...2019). Coordenadora dos Cursos de Especialização em Direito e Cidadania, Direito Constitucional, Direito Tributário, Direito Civil e Processual Civil (1997...2018). Professora TITULAR do Departamento de Direito Processual e Propendêutica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN. Professora HONORIS CAUSA da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte-UERN.

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Publicado

17-10-2013

Como Citar

HOLDER, Julianne; SILVA, Maria dos Remédios Fontes. Proteção à identidade indígena e quilombola: uma análise à luz do multiculturalismo e da abertura constitucional. Revista Digital Constituição e Garantia de Direitos, [S. l.], v. 4, n. 02, 2013. DOI: 10.21680/1982-310X.2011v4n02ID4359. Disponível em: https://www.periodicos.ufrn.br/constituicaoegarantiadedireitos/article/view/4359. Acesso em: 14 maio. 2026.

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