O MITO DO DOM E A REPRODUÇÃO DAS DESIGUALDADES ESCOLARES
DOI:
https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID41979Palabras clave:
capital cultural, êxito escolar, meritocracia, aptidões, reprodução socialResumen
O mito do dom, frequentemente associado à ideia de talentos inatos, funciona como uma ideologia que naturaliza e legitima desigualdades sociais e escolares. Este estudo teórico-conceitual, de abordagem qualitativa, objetivou analisar a contemporaneidade desse mito na educação, confrontando as perspectivas de Pierre Bourdieu, Alexis Leontiev e Dermeval Saviani. Fundamentado em levantamento bibliográfico, o trabalho investigou como o discurso do dom, ao atribuir o sucesso escolar a capacidades individuais, oculta os condicionamentos históricos e sociais que determinam o desempenho dos estudantes. A partir de Bourdieu, o mito do dom é interpretado como instrumento de reprodução social, sustentado pelas diferenças no capital cultural incorporado, objetivado e institucionalizado. Em diálogo com Leontiev e Saviani, argumenta-se que o desenvolvimento humano decorre da apropriação da cultura historicamente produzida e mediada pela educação escolar, e não de dons biológicos ou divinos. A escola, nesse sentido, desempenha papel central na socialização do conhecimento e na formação de disposições duradouras – o habitus – que possibilitam a emancipação intelectual. Conclui-se que a desmistificação do dom exige compreender o êxito escolar como resultado das condições sociais de acesso ao saber e da mediação pedagógica, e não como privilégio natural. O estudo contribui, assim, para o debate sobre a função social da escola e para o enfrentamento das desigualdades educacionais.
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