O HABITAR BIOINTERATIVO

DIÁLOGOS (IM)PROVÁVEIS PARA UMA FENOMENOLOGIA AMAZÔNICA DAS ÁGUAS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1984-3879.2026v26n1ID43415

Palavras-chave:

fenomenologia contra-colonial, habitar biointerativo, paisagens amazônicas, cosmologias afro-pindorâmicas

Resumo

Entre rios que respiram lentamente e florestas que parecem guardar a memória profunda da Terra, a Amazônia se revela menos como objeto de análise e mais como mundo vivido. É nesse horizonte sensível que este artigo propõe um gesto teórico deliberadamente arriscado, colocando em ressonância a ontologia do habitar formulada por Martin Heidegger com as cosmologias territoriais e contra-coloniais de Nego Bispo. Longe de buscar uma síntese conciliadora entre tradições intelectuais distintas, o trabalho explora a fricção epistemológica que emerge desse encontro improvável, sugerindo que a fenomenologia pode ser reaberta desde as margens históricas da modernidade colonial. Situado no contexto amazônico-marajoara, particularmente nas territorialidades ribeirinhas, o estudo mobiliza fotografias e descrições fenomenológicas da paisagem como dispositivos de reflexão teórica sobre os sentidos de vida e lugar. Nesse percurso, emerge a noção de habitar biointerativo, entendida como forma de existência fundada na reciprocidade entre humanos, águas, florestas, ancestralidades e temporalidades ecológicas. Para além de um conceito analítico, o habitar biointerativo indica uma sensibilidade ontológica na qual viver significa coparticipar da dinâmica viva do território. Ao articular ontologia, cosmologia e experiência territorial, o artigo sugere os contornos de uma fenomenologia contra-colonial, capaz de reconhecer que diferentes comunidades nunca deixaram de habitar o mundo em relações de cuidado com a Terra. Entre paisagens das águas, memórias ribeirinhas e cosmologias afro-pindorâmicas, a Amazônia aparece, assim, não apenas como campo empírico de investigação, mas como verdadeiro lugar de pensamento.

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Publicado

01-08-2026

Como Citar

SILVA, Felipe Kevin Ramos da. O HABITAR BIOINTERATIVO: DIÁLOGOS (IM)PROVÁVEIS PARA UMA FENOMENOLOGIA AMAZÔNICA DAS ÁGUAS. Saberes: Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação, [S. l.], v. 26, n. 1, p. AI25, 2026. DOI: 10.21680/1984-3879.2026v26n1ID43415. Disponível em: https://www.periodicos.ufrn.br/saberes/article/view/43415. Acesso em: 5 ago. 2026.