A governança corporativa como racionalidade de gestão
tensões e limites para a inovação na universidade pública
DOI:
https://doi.org/10.21680/1981-1802.2026v64n79ID42627Palavras-chave:
Governança corporativa, Capitalismo financeirizado, Gestão pública, InovaçãoResumo
O artigo analisa as implicações da governança corporativa para os sistemas de inovação em universidades públicas, no contexto da financeirização do capital. O objetivo é examinar de que modo a incorporação desse conceito, originário do setor privado, redefine práticas de gestão universitária e incide sobre a autonomia acadêmica. Parte-se da concepção de governança corporativa como um conjunto de princípios, mecanismos e estruturas voltados à coordenação, ao controle e à tomada de decisão, orientados por critérios de eficiência, desempenho e accountability. Metodologicamente, a pesquisa é de natureza bibliográfica e documental, com análise crítica de referenciais teóricos e normativos sobre governança, administração pública e inovação. Os resultados indicam que, embora a governança corporativa possa fortalecer a capacidade institucional de articular parcerias e promover a inovação, sua adoção tende a subordinar a gestão acadêmica a racionalidades mercantis, fragilizando a autonomia universitária e tensionando o caráter público da universidade.
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