INFINITOS VÃOS
DOI:
https://doi.org/10.21680/2448-296X.2026v11n3ID44191Keywords:
madeira engenheirada, Serviço Social do Comércio (SESC), Arquitetura Contemporânea Brasileira e Latino-Americana, Concursos de arquitetura, construção em madeiraAbstract
O ensaio analisa criticamente a arquitetura contemporânea brasileira a partir dos concursos para as novas unidades do SESC: Galeria, Thermas de Presidente Prudente e Mogi das Cruzes, e como esta se apresenta como uma oportunidade perdida. Vamos dar especial atenção para o uso da madeira engenheirada pelos projetos vencedores, a tradição construtiva em madeira no Brasil, a persistência do léxico modernista, além do desencontro entre forma e realidade. A incompletude do projeto moderno, como anunciado por Habermas, é parte do discurso de retomada da linguagem modernista pela arquitetura contemporânea brasileira a partir dos anos 1990. Mas o vão, antes imagem de um projeto total de sociedade, agora se fragmenta, multiplica e se repete, gerando uma miríade de vãos que, juntos, não formam um todo. Esses concursos representam tanto um momento de esperança e retomada da agenda democrática após a vitória eleitoral sobre o bolsonarismo quanto um rebaixamento do potencial radical da política. A democracia e suas expressões culturais enfrentam um encolhimento do horizonte de possibilidades – pelo congresso reacionário, pela crise climática, pelo retorno da excitação bélica em nível global – e a arquitetura parece materializar, de forma trágica, esse estreitamento da capacidade criativa e emancipatória da forma. A madeira, aqui, se oferece como a contrafôrma do concreto, aquilo que não serve mais para moldá-lo, mas que se desmolda a partir deste, o reflete, o imita, o emula.
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