A A ontologia social da produção de Deleuze & Guattari
sínteses do inconsciente, corpo sem órgãos, corpo pleno e antiprodução em O anti-Édipo
DOI:
https://doi.org/10.21680/1983-2109.2026v33n70ID41330Palavras-chave:
ontologia social, corpo pleno, antiprodução, produção, inconscienteResumo
Em O anti-Édipo, Deleuze & Guattari propõem uma filosofia maquínica que vai do inconsciente às máquinas sociais, da produção desejante à produção social, da economia libidinal à economia política. Essa filosofia, que está na base de sua proposição de uma “história universal da contingência”, atravessada por diferentes máquinas sociais, propõe uma original “ontologia social da produção”: ontologia pois remete às bases da constituição do ser; social pois é imediatamente atravessada e imbricada pelas questões sociopolíticas; e da produção pois essa categoria tem centralidade absoluta nas suas elocubrações teóricas. Demonstramos o quanto essa ontologia social é devedora da obra de Marx tanto em seu conteúdo quanto em sua metodologia, com as sínteses do inconsciente sendo análogas às categorias marxianas de produção, distribuição e consumo. Demonstramos também como se passa do regime produtivo das máquinas desejantes ao registro dessa produção em uma instância fetichista chamada de corpo pleno. Por fim, trazemos a categoria de antiprodução, que qualifica o conceito de corpo pleno, e demonstramos sua inspiração na economia geral proposta por Georges Bataille e em sua preocupação com o excesso e o dispêndio improdutivo. A antiprodução será o que faz com que o corpo pleno, seja ele o da terra, do déspota ou do capital, mesmo que não produtivos, registrem e se apropriem da produção sóciodesejante e distribua uma falta onde há desejo e riqueza em abundância.
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