Não tolerarei ser desrespeitada e interrompida: discursos, silenciamentos e resistências na fala pública de Erika Hilton
DOI:
https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n2ID43833Abstract
A fala feminina conhece uma longa história de silenciamentos e resistências. Essa história contempla, por um lado, o pleno funcionamento de um dispositivo de silenciamento das mulheres e, por outro lado, lugares de resistência que se opõem a essas discriminações, na medida em que práticas e discursos feministas se consolidam na contemporaneidade (Braga; Piovezani, 2025). Nesse cenário, com o intuito de discutir como esse embate se processa em nossos dias, este artigo se apresenta com o objetivo de analisar enunciados que materializam a luta da deputada federal Erika Hilton (PSOL/ SP) pelo direito de falar, de ser ouvida e de ter sua fala legitimada. Mais particularmente, interessa-nos analisar um recorte daquilo que ocorreu em uma das sessões mais tensas da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, realizada em 11 de julho de 2023. Para tanto, procedemos, primeiramente, à transcrição da discussão e, na sequência, analisamos a dinâmica do embate e os discursos que ali se materializam a partir das ferramentas teórico-metodológicas dos Estudos Discursivos Foucaultianos. Como resultado, o artigo demonstra que os pronunciamentos da deputada mobilizam recursos linguísticos e discursivos que constroem um lugar de resistência no interior da ordem do discurso político.
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