Educação multilíngue em Angola: uma reflexão crítica sobre a relação entre violência e pluralismo

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n1ID40236

Resumen

Este artigo tem por objetivo propor uma reflexão crítica acerca do enfoque na língua portuguesa como o idioma exclusivo na educação fornecida aos angolanos, levando-se em consideração a marcante diversidade linguística, uma vez que há o uso frequente de mais de 20 línguas nacionais. A predominância do português é decorrente de uma grande influência política integrativista colonial, o que continua sendo um imenso obstáculo no desenvolvimento de uma educação inclusiva, de modo que acaba por ignorar o real conhecimento linguístico da maioridade das crianças em Angola. Por meio de uma abordagem qualitativa, que possui uma base bibliográfica e documental, fundamentada no pensamento bourdieusiano e em diálogo com diversos outros estudiosos contemporâneos de Angola, apresenta-se uma análise de como a exclusão das línguas maternas corrobora com as desigualdades escolares, podendo ter como consequência processos de violência simbólica e comprometimento do direito de pertencimento do aluno. O artigo estrutura-se em três vertentes: (1) a influência histórica da língua portuguesa como mecanismo de exclusão; (2) a escola como ambiente de reprodução da língua predominante; (3) as repercussões causadas pela ausência das línguas maternas na rotina escolar. Por fim, fornecem-se algumas recomendações visando ao fortalecimento de uma política educacional bilíngue, que busque a pluralidade como fundamento pedagógico. Deste modo, conclui-se que há uma grande necessidade de reconhecer devidamente os idiomas nacionais como ferramentas de ensino, uma vez que se trata de uma questão ética e política extremamente importante para ultrapassar os obstáculos causados pelas desigualdades históricas que acabam sendo impostas pela monolinguagem educacional

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Biografía del autor/a

Ruth Alfredo Camundo, Universidade Federal do Amazonas - (UFAM)

Mestranda em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), bolsista FAPEAM, graduada em ciências da educação especialidade Biologia.

Camila Ferreira da Silva, Universidade Federal do Amazonas - (UFAM)

Professora Adjunta da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Professora Permanente e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFAM). Doutora em Ciências da Educação pela Universidade Nova de Lisboa (UNL)/Bolsa Erasmus Mundus, com Pós-Doutorado em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Líder do Grupo de Pesquisa em Sociologia Política da Educação (GRUPESPE/UFAM).

Publicado

30-07-2026

Cómo citar

ALFREDO CAMUNDO, Ruth; FERREIRA DA SILVA, Camila. Educação multilíngue em Angola: uma reflexão crítica sobre a relação entre violência e pluralismo. Revista do GELNE, [S. l.], v. 28, n. 1, p. e40236, 2026. DOI: 10.21680/1517-7874.2026v28n1ID40236. Disponível em: https://www.periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/40236. Acesso em: 6 ago. 2026.

Número

Sección

Dossiê temático: Ensino de Língua Portuguesa em contextos multilíngues: África e Brasil