Livro didático de língua portuguesa em Cabo Verde: o que dizem os documentos legais sobre ensino, o que diz a obra?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n1ID40980

Resumo

Este artigo, no âmbito da nova reforma curricular levada a cabo pelo Ministério da Educação, em Cabo Verde (Decreto-Lei n.º 27 e 28/2022), analisa o mais recente livro didático de língua portuguesa, Língua Portuguesa 9.º ano (Ferreira, 2023), do Ensino Secundário, impresso, procurando, a partir dos documentos legais que suportam o ensino, observar como se configura a aprendizagem da língua segunda, no 1º ano do Ensino Secundário, ou seja, 9º ano de escolaridade. Para atingir este objetivo, em primeiro lugar, faz-se uma contextualização sociolinguística (Lopes, 2016) deste arquipélago que evidencia a necessidade de o sistema de ensino do país se orientar por políticas e abordagens didático-pedagógicas voltadas para o ensino bilíngue (Garcia e Woodley, 2015). Em segundo lugar, metodologicamente, analisa-se o desenho da organização do ensino de línguas a partir dos documentos legisladores (Lei de Bases do Sistema Educativo e Sistema Educativo no Decreto-Legislativo), os quais demonstram que as políticas linguísticas do país ainda não estão plenamente adequadas ao contexto sociolinguístico cabo-verdiano. Em seguida, tendo como base empírica o livro didático Língua Portuguesa 9.º ano, discute-se a organização do material e a proposta de ensino dos componentes leitura, escrita, oralidade e análise linguística (Marcuschi, online). Para a análise do livro didático, partiu-se do pressuposto que, no ensino de Português, língua segunda, deve-se recorrer à língua materna do aprendente, pelo menos, para diferenciar os dois sistemas linguísticos a partir da noção do dialogismo (Bakhtin, 2011). Como resultados da análise, chama-se a atenção para as limitações do livro didático, destinado ao ensino de uma língua segunda, que não se pauta pelo necessário apoio à língua materna do aprendente e a abordagem de ensino adotada que parte de um ponto de vista de ensino de português como língua materna e não como língua segunda.

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Biografia do Autor

Nukácia Araújo, Universidade Estadual do Ceará - (UECE)

Doutora em Educação, professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA) e do curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará.  

Débora Arruda, Universidade Estadual do Ceará - (UECE)

Doutora em Linguística Aplicada, professora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PosLA) e do curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará.  

Eliane Semedo, Universidade de Cabo Verde - (Uni-CV)

Doutora em Linguística e Ciência da Linguagem, professora da Universidade de Cabo Verde, membro do Conselho Científico Associação da Língua Materna Cabo-verdiana.

Goreti Freire Silva, Universidade de Cabo Verde - (Uni-CV)

Doutora em Português como Língua Estrangeira/Língua Segunda. Professora da Universidade de Cabo Verde.

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Publicado

04-08-2026

Como Citar

SILVA ARAÚJO, Nuk´ácia Meyre; LIBERATO ARRUDA, Debora; ARAÚJO VIEIRA SEMEDO , Eliane Cristina; VARELA FREIRE SILVA , Maria Goreti. Livro didático de língua portuguesa em Cabo Verde: o que dizem os documentos legais sobre ensino, o que diz a obra?. Revista do GELNE, [S. l.], v. 28, n. 1, p. e40980, 2026. DOI: 10.21680/1517-7874.2026v28n1ID40980. Disponível em: https://www.periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/40980. Acesso em: 5 ago. 2026.

Edição

Seção

Dossiê temático: Ensino de Língua Portuguesa em contextos multilíngues: África e Brasil