Construções antagônicas da trabalhadora doméstica em “O Verão Feliz da Senhora Forbes”, de Gabriel García Márquez, e O Primo Basílio, de Eça de Queiroz
DOI:
https://doi.org/10.21680/1517-7874.2026v28n1ID41889Resumo
Gabriel García Márquez, em “O Verão Feliz da Senhora Forbes”, e Eça de Queiroz, em O Primo Basílio, inserem, em suas obras, construções contrastantes da trabalhadora doméstica: a trabalhadora indesejada no contexto doméstico, nas figuras da Senhora Forbes e de Juliana, e a mulher afável, nas personagens Fúlvia Flamínea e Joana. O presente estudo observa esses paralelos a partir de uma perspectiva comparatista (Carvalhal, 2006), compreendendo a maneira com que as personagens interagem em cada universo narrativo, com atenção à caracterização de dois tipos de mulher no cuidado do lar. Para isso, foi adotada a concepção de Antonio Candido (2014) acerca da personagem de ficção e sua relação com o ambiente. Assim, a presença simultânea e interação entre duas trabalhadoras domésticas tão diversas em cada um dos textos promove uma dinâmica narrativa relevante, vinculada à mulher nessa posição específica de cuidado e administração do lar. A partir da análise, conclui-se que há padrões comportamentais das personagens em seus próprios paradigmas: Fúlvia e Joana representam a leveza e adaptabilidade frente aos seus ambientes, enquanto Forbes e Juliana não se encaixam nesses mesmos cenários, o que as perturba e perturba toda a configuração das narrativas.
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