RELEITURAS FREIRIANAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA EDUCAÇÃO

EVIDÊNCIAS DE 2007 A 2026, O MARCO DE 2017 E A AGÊNCIA HUMANA

Autores

Resumo

O artigo analisa a constituição da inteligência artificial generativa (IAG) como questão educacional entre 2007 e 2026, por meio de uma metodologia mista, articula evidências quantitativas, dados qualitativos e uma releitura freiriana da ocorrência da IA generativa na
Educação. O objetivo é avaliar em que medida 2017 pode ser compreendido como marco material e epistemológico, sem convertê-lo em causa única ou ruptura absoluta. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem mista e exploratória: sistematizam-se séries bibliométricas provenientes de estudos baseados na Web of Science e na Scopus; examinam se marcos internacionais e brasileiros de governança; e apresenta-se a validade de um método Freiriano para analisar o objeto Educação e Inteligência Artificial com o eixo da
agência humana no centro. Os resultados indicam baixa densidade bibliográfica antes de 2017, aceleração entre 2018 e 2020 e expansão decisiva após 2022, quando a IAG de uso geral passou a circular amplamente. As evidências qualitativas revelam a transversalidade do Consenso de Beijing em outros documentos regulatórios oficiais, incluindo a consideração de benefícios associados ao planejamento, à produção de materiais e à personalização, mas também riscos de dependência, fragilização da autoria, desinformação, vigilância e desigualdade. Conclui-se que os documentos oficiais reforçam que a agência humana constitui o eixo qualitativo mais consistente para avaliar a presença da IAG na educação, porque integra finalidade pedagógica, julgamento profissional, autoria, contestabilidade, equidade e responsabilidade. Por fim, à luz de Paulo Freire, propõe-se substituir a oposição
simplista entre proibição e adesão acrítica por uma práxis dialógica de leitura, intervenção e transformação das tecnologias na sociedade e no específico da Educação.

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Biografia do Autor

Carlos Javier Vidal Guerrero, UNEB

Mestre em Educação e Contemporaneidade pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB, 2026), na linha de pesquisa Educação, Currículo e Processos Tecnológicos, com investigação sobre ''Inteligência Artificial Generativa e Educação: Perspectivas Epistemológicas em Educadores''. Licenciado em Filosofia pela Universidad del Salvador (Argentina) e Bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Brasil). Atuou por mais de 11 anos na Companhia de Jesus, com experiência em pedagogia, assistência social e Filosofia Social, desenvolvendo projetos educativos e comunitários em diferentes contextos da América Latina. Atualmente, integra os grupos de pesquisa Filosofia do Comportamento Econômico, com estudos sobre Blockchain, agentes de IA e pensamento crítico, e Umanità, voltado às Humanidades e à Educação com foco nos impactos da IA generativa. Coordena e participa de projetos culturais e educacionais, com destaque para o Cordel 2.0, realizado no Espaço Cultural Alagados, e para o desenvolvimento do Laboratório Cordel 2.0, ecossistema de aplicativos educativos voltado ao letramento digital em inteligência artificial, à escrita guiada e à escrita poética, articulando mediação pedagógica, autoria humana e reflexão crítica sobre tecnologias. O laboratório reúne ferramentas próprias, como Arara, Inanna e IZA, e integra recursos abertos de terceiros para fins pedagógicos.

Celeste Farias, Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil (SINDIPSICOPP-BR)

Licenciada em Filosofia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). Formação Pedagógica em Letras pela pela Faculdade Educacional da LAPA (UNIFAEL). Especializações em Psicopedagogia Institucional (UNIFAEL). Especialização em Educação a Distância 4.0 (UNIFAEL). Cursou a cadeira de Educação e Humanidades como aluna especial no Mestrado do PPGEDUC-UNEB (2024). Integra dois grupos de pesquisa cadastrados no CNPq: Educação e Humanidades (Umanità/UNEB) e Diversidade Afetivo-Sexual e Teologia (FAJE/BH). Participou como estudante bolsista do Programa de Iniciação Ciêntifica PIBIC CNPq na Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia com o Trabalho Justiça Social e Reconhecimento (2018-2019). Membro da Associação brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN); Membro da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), na categoria individual; Membro efetivo da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp-BA) e do SINDPSICOPP-BR (CRPp Sindical N 2716)- Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil. Como produtora cultural, coidealizou e coordenou a primeira edição do projeto Cordel 2.0: A Periferia e a Inteligência Artificial em uma Jornada Criativa (Lei Rouanet/2024), resultando na antologia Cordel 2.0: Literatura Popular e Outros Versos - Volume 1 (2025). Atuou como parecerista técnica no edital LAB-MG (Lei Aldir Blanc/2020) e integrou o Comitê de Implementação desta política em Belo Horizonte, além de ter fundado o Fórum Municipal de Literatura de BH e sido conselheira no COMUC-BH (2018-2020). Na área educacional, coordena o "Curso de Escrita Criativa em Tempos de IA" em parceria com Carlos Vidal; atuou como mediadora voluntária no Clube de Leitura 6.0 (Observatório do Livro e da Leitura/SP). Autora dos livros "Inanna Salomé - Poesias e Mistérios" (2013) e "No Divã da Consciência" (2015), organizou a coletânea "Cordel 2.0" (2024) e participou de mais de 30 antologias literárias. Como editora-chefe do selo Agilite, viabilizou 31 publicações entre 2014 e 2025. Participou ativamente na direção do Centro Acadêmico Tito Alencar (CATA/FAJE). É membro da Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes (ANELCA/MG - cadeira Adélia Prado). Integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-BA - Seccional BA); a Confraria Artista e Poetas pela PAZ (CAPPAZ) e o Movimento Poetas del Mundo, tendo recebido múltiplas honrarias por sua atuação cultural e literária. Entre suas atualizações recentes (2024-2025) destacam-se: a publicação da antologia Cordel 2.0; participação como colaboradora voluntária da Copa Mundial de Robôs - RoboCup 2025; atuações em vários editais como analista e pareceristas técnica cultural no Brasil; desenvolvimento de novos projetos editoriais pelo selo Agilite; e participações em saraus e feiras literárias com os coletivos Cordel 2.0, Movimento Cultivista Brasileiro Café com Poemas e entre outros. Recentemente, participou como voluntária no RoboCup 2025, guiando escolas e aproximando robótica da educação.

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Publicado

27-10-2026

Como Citar

VIDAL GUERRERO, Carlos Javier; FARIAS DE SOUZA DIAS, Celeste Maria. RELEITURAS FREIRIANAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA EDUCAÇÃO: EVIDÊNCIAS DE 2007 A 2026, O MARCO DE 2017 E A AGÊNCIA HUMANA. Revista do CERES, [S. l.], v. 2, n. 2, 2026. Disponível em: https://www.periodicos.ufrn.br/Revistadoceres/article/view/44384. Acesso em: 28 out. 2026.

Edição

Seção

Dossiê - Educação e Inteligência Artificial em Perspectivas