MONOMANIA E HISTERIA MASCULINA NA BAHIA DO SÉCULO XIX
dissidências de sexualidade e gênero sob a psiquiatria
Resumo
O artigo examina como a psiquiatria produzida na Bahia, na segunda metade do século XIX, articulou dissidências sexuais e de gênero às categorias de monomania e histeria masculina. Para tal, analisaram-se teses médicas sustentadas na Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB) entre as décadas de 1850 e 1890, indicando o deslocamento de uma reprovação predominantemente moral para a interpretação desses comportamentos como predisposições mórbidas dotadas de implicações hereditárias e coletivas. Argumenta-se ainda que, mais do que reproduzir teorias europeias, os finalistas do curso médico na FAMEB mobilizaram a linguagem das moléstias mentais para naturalizar diferenças sociais e reafirmar hierarquias no contexto das últimas décadas da escravidão e do imediato pós-abolição. A patologização da sexualidade integrou, assim, um processo mais amplo de definição de padrões aceitos de masculinidade e de reorganização de certa ordem social.
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